Ouvidos de padre,
Conchas suaves.
Lavados
Por ácidas águas
Dos humanos erros,
Depuram-se.
Tornam-se alvos,
Finos,
Translúcidos.
E mesmo
Que o homem padre
Seja vil,
Basta olhar-lhe
As orelhas
Que, encharcadas de crimes,
Conservam infinita pureza.
Ouvidos de padres:
Colares de conchas de Deus.
(Inspirado no livro "A confissão e o perdão - a
confissão católica nos séculos XIII a XVIII", de
Jean Delumeau)
(Poesia de autoria de Lígia
Gomes Carneiro
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