Teus gestos são como essas rendas delicadas
Que a espuma do mar tece nas praias.
Não se pode jamais toca-las,
Pois seria destruir sua beleza.
Isso não me impede de olhar-te
Com o prazer melancólico de quem contempla
As rendas de espuma na areia.
Se aos libertos coube amar
O que se encontra além do transitório,
A mim coube amar o transitório mesmo,
A fragilidade, as rugas, as passagens.
E ver, no que traz a marca da morte,
Uma beleza infinda.
Porque única,
Porque frágil.
(Poesia de autoria de Lígia
Gomes Carneiro
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