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Defenestração

Defenestrarei meus sonhos.
Não com o ímpeto religioso
Dos católicos de Praga.

Não.
Sempre preferi o método,
A precisão,
À paixão cega e ignara.

Jogarei um a um pela janela,
Em um dia claro de sol,
E observarei o que lhes acontece
Quando se desfazem.

Ao final,
Os de vidro, estilhaçados;
Os de carne, lacerados;
Sentar-me-ei, acalmada,
Na contra-luz da janela,
Para que se veja, de mim,
Apenas a silhueta.

E escreverei meu testamento.


(Poesia de autoria de Lígia Gomes Carneiro
reprodução proibida sem autorização.)


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