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Urubu
Aziago,
azoinado e azucrim,
De má
sina
e
feia
cara,
Meu
coração
é
um
urubu.
Vive de
comer
as
carniças
Dos
amores
que
ninguém
gozou,
Das
crianças
tristes,
enfermiças,
Das
mulheres
que
ninguém
amou.
Com
má
sina
e
triste
cara,
Meu
coração
urubu
Devora,
com
enorme
volúpia,
Os
restos
de
gente,
De
vidas,
De
casas.
Tudo
aquilo
que
não
mereceu
Dos
outros
a
mínima
consideração.
Voa, meu coração,
simpático
urubu
de estimação. |