"As mães não nos dizem onde estamos e nos deixam sozinhos; onde os medos acabam e Deus começa - aí talvez a gente esteja..." (Rilke)

 

"E do seu canto foi brotando o mundo: as grutas da noite e o ventre do dia;
 a morte nascia dessa música.
(Lya Luft)

 



Quem somos?
Acima de tudo, simplesmente Mulheres.

Com anseios, desejos, sonhos, passado, contradições, alegrias e dores. Com seus muitos questionamentos - nem sempre com respostas -, vibrando com as conquistas, amargando as derrotas, e sempre erguendo-se - caçadora e guerreira -, em busca do conhecimento - também através da troca de opiniões e intercâmbios.

A Lista Ártemis surgiu na Internet em Março de 1998 e foi criada da reunião virtual de 12 mulheres que se conheceram em listas de astrologia e que buscavam um espaço onde pudessem tratar de assuntos que falem mais à mulher e seu universo.

Hoje, o grupo se ampliou: somos 33 mulheres (mas já fomos mais de 50) de diversas profissões, idades e interesses e o foco também se redirecionou - as discussões continuam a girar em torno do universo feminino, mas abrangendo mais seus conflitos, interrogações, descobertas e afins.

As integrantes de Ártemis fazem deste um 'lugar comum', restrito e seletivo, onde colocam suas idéias num mundo mais fechado, compartilhado apenas entre elas.

Aos sábados, uma (ou duas) de nós escreve crônicas para o site Crônica do Dia.


Quem foi Ártemis?
[mitologia grega]

Deusa grega da caça e da lua, competidora e irmã - equivalente à Diana, a deusa romana.


Filha de Zeus e Leto, irmã gêmea de Apolo, o deus sol, é considerada uma divindade lunar, retratada como uma destemida virgem caçadora, senhora dos animais selvagens. Passava seu tempo na caça, acompanhada de seus cães.

Vestia-se com uma túnica curta equipada com um arco de prata e aljava de setas ao ombro; é a potência misteriosa que preside a fecundidade animal das florestas além de ser considerada como sendo a deusa principal das Amazonas enquanto caçadora divina.

Na Ásia Menor também é retratada como prostituta e deusa da fertilidade, mas paradoxalmente também é virgem e protetora da gravidez e do parto.  A sua fama de protetora do parto, deveu-se ao fato de que por ter nascido antes de Apolo, auxiliou sua mãe, Leto, no parto do irmão.

Também é associada à Hécate, outra deusa lunar e regente do inferno que fazia-se acompanhar por cães tal qual Ártemis, e nesse seu aspecto de deusa da lua, associa-se também a Selene. Hécate, Ártemis e Selene eram consideradas como sendo uma trindade lunar.  

As veneradoras da deusa Ártemis chamavam-se ursas. Ártemis simboliza o aspecto dominador e castrador da mãe e as feras que a acompanham simbolizam o instinto que precisa ser domado.

Ela era considerada como símbolo da fecundidade e não do casamento e era também chamada de "a que acerta de longe" ou "a Senhora das feras."

É ainda um símbolo da mulher que é individualista e que se movimenta sozinha fazendo o que lhe interessa sem a necessidade de amparo ou de aprovação - quer masculina ou feminina. Personifica o espírito feminino independente que possui imunidade à paixão, uma vez que esse arquétipo permite que a mulher sinta-se completa sem a presença de um homem.
 


A Lenda

O deus grego Zeus estava envolvido em casos com a desafortunada mortal Leto - também chamada de Latona (uma das filhas dos Titãs e tão bela que o rei dos deuses por ela se apaixonou). Logo ela estava grávida de gêmeos. Para evitar a fúria e a vingança de Hera - sua esposa, a deusa do casamento -, Leto fugiu para a ilha de Delos, originalmente chamada de Ortygia, onde deu à luz seus filhos numa caverna: a deusa Lunar Ártemis/Diana, que nasceu um dia exato antes de seu irmão, o deus Solar Apolo.

Ao descobrir, Hera ficou furiosa. Ela enviou a grande serpente Pítone ao encalço de Leto, mas o deus dos mares, Posêidon, a ocultou. O jovem Apolo, extremamente forte e belo, fortaleceu-se com néctar e ambrósia. Tomando consigo as flechas forjadas especialmente para ele pelo ferreiro Hephaestus, ele buscou o monstro em Parnaso e o matou.

Ártemis era tão bela quanto seu irmão mas, ao contrário de Apolo, esta deusa não desfrutava de prazeres sexuais. Ela era a Caçadora Virgem, a Caçadora das Almas. Tão logo nasceu, Ártemis partiu diretamente ao encontro de seu pai, Zeus, e pediu uma túnica curta, botas de caça, um arco de prata e uma aljava repleta de flechas.

As Amazonas lhe eram leais e seus lugares prediletos eram bosques e montanhas da Arcádia, por onde andava na companhia de sessenta oceânides, vinte ninfas e uma matilha de cães de caça chamados Alani.

Ela tornou-se a defensora das mulheres maltratadas ou ameaçadas pelos homens. E apesar de não ter nada em comum com eles nem permitir que suas ninfas se envolvessem em amores, Ártemis é a patrona da fertilidade feminina e dos partos.

O arquétipo de Ártemis

Espírito feminino independente, esta vibração possibilita à personalidade expressar a procura de seus próprios objetivos no terreno de suas próprias escolhas.

Ártemis representa integridade, autoconfiança e espírito independente, atento e firme a respeito de suas causas e princípios.

Fonte: Espaço Cultural Luz e Mhistério


Procura-se a identidade superior do SER MULHER
Por Rosa Leonor - Portugal

Ártemis era a Deusa grega protetora das mulheres, assim como dos animais, de qualquer fêmea grávida ou em trabalho de parto e símbolo da sua liberdade, sendo a "virgem" não porque intocada pelo homem, mas por ser senhora da sua vida e livre como o eram todas as Virgens de outrora, incluindo a Virgem Maria que foi mãe "solteira" - isto é, não se submetia a nenhum homem, mas a si mesma e à deusa de que Cristo nasceu.

Podemos invocar Ártemis se precisarmos da sua proteção e também a da terra e da Natureza, como podemos usar o seu nome para evocar a verdadeira natureza da mulher e o seu culto "pagão" que foi deturpado pela religião cristã.

Ártemis, na sua representação mítica, ocupa-se apenas de um espaço exclusivamente dedicado às mulheres. Seguindo esta senda de origem sagrada, as mulheres que sentem essa necessidade e só aceitam outras mulheres nas suas cerimônias religiosas designam-se em geral e a si próprias como Diânicas, segundo a deusa romana Diana, que era um outro nome de Ártemis - Artemísia (em português), dado mais tarde pelos romanos.

Hoje em dia, as mulheres de espírito "ártemis" defendem que as mulheres são de tal modo agredidas pela sociedade falocrática que precisam de espaços exclusivos para as mulheres para desse modo poderem ter voz e assim recuperar emocional e espiritualmente ao reencontrarem a sua identidade em contacto com o seu ser profundo.

Deste modo, considero que os espaços freqüentados só por mulheres que permutam a sua energia e conhecimento intuitivo usando "a voz do útero", podem ajudar-se umas às outras e conscientizar-se das suas muitas capacidades desprezadas pela sociedade de dominação masculina que as apelidaram de histéricas, e terem um efeito não só terapêutico como libertador nas suas vidas, almas e corpos "amputados" pela exigência dos conceitos vigentes e das estéticas ao serviço do imaginário masculino e de que são na sua grande maioria escravas.

Falo das mulheres em geral - independentemente da sua orientação sexual. Gostaria de ver as mulheres unidas e identificadas muito para além das suas pulsões sexuais! Ir para além das "Faces de Eva" ou das "lésbicas" que tão mal invocam a sua suposta Musa - a excelsa poetisa Safo -, para dar lugar apenas às expressões mais comuns da mulher e que deixam uma imagem parcial da própria mulher ao seguir estereótipos masculinos, como todas as mulheres o fazem, seja obedecendo-lhes, seja imitando-os...
 


 

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Imagem: Primavera, Sandro Botticelli