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Epifania do
Camundongo É um dia de chuva e eu olho pela janela para o meu pequeno pátio. De repente, vejo um camundongo passeando pelo quintal. É pequeno e cinza, gordinho feito rato de desenho animado. Vez que outra pára, senta, agarra uma frutinha do cinamomo e a come, girando entre as patinhas. Examina o solo exposto, levanta uma folha aqui, para e olha para a parede acolá. Anda meio sem destino, procurando se esconder da chuva, olhando para cima e buscando um abrigo. Meu coração se confrange diante da sua fragilidade e desejo que encontre um local para se proteger da chuva. Até que se aproxima da porta de entrada. Saio voando casa afora para verificar se não haverá nenhuma fresta pela qual o pequeno monstro possa entrar em meu reduto humano. Pelo sim, pelo não, coloco uma barreira formada por objetos variados na soleira da porta – vai que o bicho acha um buraco que eu não estou vendo?
Enquanto monto a minha barreira, meu coração novamente se confrange, mas
desta vez por mim, que em menos de 30 segundos, no espaço entre a chuva e o
abrigo, transformei o camundongo que buscava abrigo em pequeno monstro
transmissor de doenças. Essa sou eu: centrada em mim mesma, julgando o
universo a partir apenas da minha pequena perspectiva. Mas, ao mesmo tempo,
essa também sou eu: capaz de perceber a limitação de minha visão, e de
sofrer por isso. E talvez ai, nesse encontro de ato e percepção do ato,
resida a minha possibilidade de libertação. |
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