![]() |
|
|
|||||||||
|
Caro leitor, Depois de muito tempo parada, me surpreendo escrevendo nova resenha.Infelizmente, o maldito "ritual" do vestibular me impediu de compartilhar minhas impressões da Sétima Arte por um razoável período de tempo.Esses dias de desaparecimento da coluna chegaram ao fim. Dessa forma, não pude registrar aqui os relatos da minha época favorita do ano: o Festival do Rio. Ainda assim, faço questão de dizer alguns dos que mais me impressionaram do evento e agora me vêm à memória: 2046 (mais um do cada vez melhor Wong Kar Wai), A bela do palco, Crash, o relançamento de A batalha de Argel e Todas as crianças invisíveis. Dessa última temporada, gostei demais de Cinema, aspirinas e urubus (um dos melhores filmes dessa nova geração de cinema brasileiro) e Johnny and June. Anseio para assistir Brasília 18% e Árido movie - mesmo não sendo muito fã do cinema nacional - mas creio que estou um pouco atrasada. Sumiço esclarecido, decidi voltar à ativa contemplando um filme da minha atriz favorita (empatada com a igualmente soberba Anna Magnani), Meryl Streep.Eis a sinopse: Rafi é uma mulher recém-divorciada, ainda traumatizada pelo fracasso de seu relacionamento. Ela acaba se apaixonando por um pintor 15 anos mais novo que ela. O filme apresenta o ponto de vista não somente do casal envolvido, mas das pessoas que o cercam, mostrando todas as conseqüências sociais quando duas pessoas se apaixonam. Não me considero fã de comedias românticas e filmes água com açúcar no geral. Não me incomodo de assisti-los e realmente, muitas vezes me pego com um sorriso no rosto durante a sessão ou mesmo lágrimas nos olhos. Contudo, sempre odeio seus finais. Odeio qualquer sinal de previsibilidade, por mais que a função chave e original do cinema seja entreter. Acontece que no fim da fantasia, sempre fica o "gosto amargo”, e é sem dúvida alguma o que mais odeio. Sempre ocorre a mente "Ah, é só um filme, aliás, é SÓ em filme que isso acontece”, ou "Até parece que na vida real as coisas são assim”. É realmente. A vida real é cheia de desilusões, decepções, falsas esperanças, além de encontros e desencontros. Esse tipo de filme, finalmente, consegue encher o coração de expectativas irreais num minuto, e em seu fim há o trágico retorno à realidade. Agora o leitor apressadinho pára e pensa: "Ah, você tá querendo dizer assim que não devo esperar nada além do previsível em Terapia do Amor, né?”: Não. É exatamente isso que tento lhe falar. Pela primeira vez, ao longo de inúmeros romances água com açúcar hollywoodianos lançados, consigo encontrar um que seja hã.... honesto. O filme brilha exclusivamente por duas coisas: A inegável química afiada do ELENCO (com maiúscula, pois faço questão de frisar que ultrapassar a barreira do casal principal) e o seu senso de realidade. Mesmo não dotado da "fantasia" típica desses filmes, encontramos finalmente, um final palatável. É um final que não nos faz dizer "Por que as coisas não poderiam ser assim" e sim "Acontece que elas são...”. Calma, não há propriamente tragédia. Nem o filme decepciona. Já disse: é real, acreditável, BONITO. É bonito porque engloba todos os elementos próprios da comedia romântica água com açúcar, mas não a encarna. Consegue ser ímpar e se destacar no mar de filmes que estréiam todas as sextas. É bonito porque como em poucas vezes nas grandes produções, mostra que nem sempre o amor é suficiente pra manter uma relação. E aí o espectador começa a pensar no que é... E essa é uma concepção única e intransferível. Por isso no começo há a sensação de raiva, quer dizer, vivemos numa sociedade em que mais do que nunca se mitifica o amor, como pode um filme questionar sua auto-suficiência?? É, mas a desmistificação existe. E depois da raiva, a aceitação. Aliás, a compreensão. Agora você sorri. Sorri porque consegue se imaginar na tela, é... Poderia ser você ali. É, mesmo sendo provido de fim, não teria sido ruim viver aquela história de amor. No fim das contas sempre nos lembraremos daquele amor que tinha tudo pra dá certo, e uma única razão pra dar errado... E essa razão sozinha foi responsável para transformar o que foi vivido em passado. Lembrei muito de "The way we were" com o Redford no auge de sua beleza, e a dupla "Antes do amanhecer/Antes do por do sol”... Mas esse não é um grande filme. É sim um pequeno achado. Filmes sinceros estão em falta nas produções de Hollywood. Okay,vamos então as performances. Odeio Uma Thurman. Mesmo. Tenho por ela uma daquelas inquestionáveis antipatias naturais. Entretanto, odeio também ser injusta. Uma está (surpreendentemente) bem no papel de Rafi,sua química com Bryan é inegável.Ela se encontra bastante enxuta para a idade, e muito natural na tela.Como em poucos filmes de sua carreira, não se encontra inexpressiva.Contudo não o suficiente para mudar minha opinião de longa data.Ainda a odeio. Já Bryan Greenberg reconheci de filmes besteróis americanos e do seriado One Tree Hill, fazendo papeis adolescentes que não convencem ninguém.Contudo em Terapia do amor ele está absolutamente encantador. Sério. Ele atua de forma tão viva que é possível sentir seu personagem, e em seus olhos ver sua alma (!!). Aposto que ele vai virar a versão masculina da Scarlett Johaanson - não é a toa que já trabalharam juntos. Por fim, o melhor, a esperada cereja do bolo. Hahaha, Meryl. Simplesmente D-I-V-I-N-A. Não há dúvidas porque ela é a ÚNICA atriz de sua idade que consegue papéis excelentes em Hollywood. Mais uma vez, neste filme, mantém seu reinado e afirma sua posição de acima das mortais. Não, não me acuse de exagero por ser sua fã. É pura e integralmente mérito de Meryl, que ao fazer o papel cômico nos mostra que sua vasta diversidade artística continua afiadíssima. Normalmente a vemos em papéis sérios e/ou dramáticos, mas seu brilho não diminui na comédia, pelo contrário. Esse seu potencial cômico deveria ser muito mais explorado, pois o que essa mulher tem de capacidade não é brincadeira não. Ela é a versão feminina do Jack Nicholson. Hoje e sempre divinos. Impressionante, como vão fazer falta no futuro... Então caro leitor ávido, vá ver esse filme. Vale a pipoca, a jujuba e a coca. Até breve.
Título: Terapia do Amor
|
Dúvidas ou sugestões, escreva para
webmistress@femininoplural.com.br