Uma afirmativa
surpreendente para alguns, e que é comum às mais diversas tradições religiosas, é a
de que Deus não é algo externo ao ser humano. Ele (ou ela, para alguns de nós, ou,
ainda, O que Não Pode Ser Definido para outros) é parte de nosso ser, e o caminho para
encontrá-lo é o caminho ao encontro de si mesmo.
Mas aonde está esse Deus, onde está essa Luz e Sabedoria que é buscada por tantos?
E, novamente, as diversas tradições religiosas estão de acordo: Ele está no em nosso
coração. Imagens como o Sagrado Coração de Jesus dos Católicos e o Hanuman dos
hinduístas (que mostra o peito aberto com a imagem de Deus dentro) mostram, de forma
figurativa, esse fato.
O que queremos, entretanto, é vivenciar essa existência do Deus Interno, não é
mesmo? Ansiamos por encontrá-lo, e por estarmos próximos dele. Novamente, as religiões
se encontram. Em várias delas, diferentes técnicas de meditação concentram-se na área
do coração, para que possamos experimentar, ali, a presença divina. Há, até, uma
escola de meditação que se dedica apenas à esse tipo de meditação. É a Sahaj Marg,
um sistema de meditação da Raja Yoga, desenvolvido pelo mestre indiano Shri Ram Chandra,
que viveu no final do século passado e início deste.
PORQUE O CORAÇÃO?
Na verdade, a maioria dessas meditações não se concentra exatamente no coração,
mas no chakra cardíaco. No entanto, isso não é o mais importante. O que realmente
interessa é que, ao se dizer que a presença do Deus Interno está no coração o que se
está dizendo é que Deus se manifesta através de nosso amor. E que, quando desenvolvemos
a nossa capacidade de amar, despertamos o Deus Interno. A meditação centrada no chakra
cardíaco tem, portanto, o objetivo de aumentar nossa capacidade de amor e compaixão.
COMO MEDITAR
Essa é uma meditação bastante simples, mas poderosa. Estou, aqui, apresentando uma
versão dela. Existem, naturalmente, outras. A versão que apresento é usada
principalmente por budistas e hinduístas. Mas conheço também católicos e membros do
movimento New Age que a utilizam. E, como em todas as demais meditações valem as
recomendações básicas:
Não medite de estômago cheio, pois ficará com sono ou poderá se sentir indisposto.
Sente-se sobre uma almofada em posição de lótus, meio lótus ou apenas com as pernas
cruzadas. Ou, ainda, sente-se em uma cadeira em que possa manter as costas eretas e os
pés apoiados no chão. Isso é muito importante mantenha as costas
confortavelmente eretas. Para garantir maior firmeza, antes de começar a meditação
incline o tronco para a frente, force as nádegas para trás e volte a ficar com as costas
retas.
Comece preparando seu ambiente para meditar. Isso aquieta a mente e cria um clima
especial. Se quiser, acenda um incenso ou uma vela. Enfim, crie um clima agradável e
propício.
A seguir, sente-se, respire três vezes profundamente e solte bem o ar (durante o resto
da meditação, não se preocupe em manter sua respiração sobre controle). Concentre-se,
agora, no seu chakra cardíaco (situado no centro do peito, à altura do coração).
Imagine que há, nele, uma luz rosa delicada e brilhante. Essa luz vibra e pulsa. Sinta
sua vibração. Deixe que vibre, e pulse. Sinta o amor infinito por todos os seres que
irradia dessa luz. Se você desejar, deixe que ela irradie do seu peito, enchendo o
espaço a seu redor.
Permaneça sentado, deixando que essa luz divina continue pulsando. A cada
inspiração, você a alimenta. A cada expiração, você a sente pulsando. Mantenha-se
assim pelo tempo que se sentir confortável. Quando achar que deve parar, agradeça a essa
luz por estar presente em você.
Simples, não? Mas, lembre-se, como em todas as meditações, essa também exige
persistência. Pratique regularmente, e aos poucos você irá sentir que, realmente, os
místicos estavam certos: a luz de Deus mora em nosso coração.