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Feminino Plural - Terra


Árvore da vida

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A espiritualidade do Deserto

Árvore dos sonhos

 

Quando me indicaram esse livro, olhei com certa desconfiança. Afinal, era um livro escrito por um padre para padres e sobre a profissão de padre. Eu não sou padre. O que teria ali que pudesse me inspirar, ensinar ou ajudar? Terminei comprando porque, ao folhear, vi uma ou duas frases interessantes. Mas, depois da leitura, agradeço de coração à pessoa que me indicou o livro – ele é uma pequena jóia, indicada para aqueles que, praticando (ou não) qualquer religião, queiram trazer a prática espiritual para sua vida cotidiana.

O nome do livro é "A espiritualidade do deserto e o ministério contemporâneo – O caminho do Coração" (veja dados completos no final). Foi escrito pelo padre Henri Nouwen. Ele surgiu de um seminário que o autor deu para padres, em que mostrava como as práticas dos padres do deserto (que estão entre os primeiros místicos cristãos) podem ser usadas e muito bem pelos que buscam a espiritualidade nos dias de hoje.

O livro se divide em três partes – que são, também, as três práticas dos padres do deserto: Solidão, Silêncio e Oração. Mostra a importância dessas práticas, e como podem ser vividas em pleno século XX, por pessoas que, como a maioria de nós, trabalham e passam a vida correndo.

Abaixo vão três trechos, sobre cada uma das práticas. Recomendo, e muito, que aqueles que se interessarem por qualquer um dos três temas de forma mais profunda leiam o livro todo.

 SOLIDÃO

...(referindo-se a um dos padres do deserto, Antão)..."A solidão, que em princípio exigira isolamento físico, tornou-se uma qualidade de seu coração, uma disposição interior que já não era perturbada pelos que precisavam de sua orientação"... "A solidão fez dele um homem compassivo"... Aqui chegamos ao ponto em que ministério e espiritualidade se tocam: a compaixão. Ela é fruto da solidão e base de todo ministério. A purificação e transformação que ocorrem na solidão manifestam-se na compaixão....

Não vamos subestimar a dificuldade de ser compassivo. A compaixão é difícil porque exige a disposição interior de acompanhar os outros ao lugar onde eles são fracos, vulneráveis, solitários e desanimados. Mas essa não é nossa resposta espontânea ao sofrimento. O que mais desejamos é aboli-lo, fugindo dele ou encontrando uma cura rápida para ele..... É na solidão que essa solidariedade compassiva se desenvolve. Na solidão, percebemos que nada humano nos é estranho, que as raízes de todos os conflitos, guerras, injustiças, crueldade, ódio, ciúme e inveja estão firmemente plantadas em nosso coração....

....se quisermos ser úteis para os outros, teremos que morrer para eles, isto é, teremos de desistir de medir nosso sentido e valor com o padrão da comparação dos outros. Morrer para o próximo significa parar de avaliá-lo e, assim, ficar livre para ser compassivo".

SILÊNCIO

"Recentemente eu atravessava Los Angeles de carro quando, de repente, tive a estranha sensação de guiar através de um dicionário. Onde quer que eu olhasse havia palavras que procuravam me fazer tirar os olhos da estrada. Diziam: "Use-me, leve-me, compre-me, beba-me, cheire-me, toque-me, beije-me, durma comigo". Em um mundo desses, quem guarda respeito por palavras?

Tudo isso é para afirmar que as palavras, até mesmo as minhas, perderam o poder criador....O resultado disso é que a principal função da palavra já não é percebida.....

.......

O terceiro modo em que o silêncio se revela como mistério do mundo futuro é nos ensinando a falar. A palavra com poder vem do silêncio e a ele retorna....

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É boa disciplina, em cada nova situação, perguntar a si mesmo se as pessoas não vão ficar mais bem servidas com nosso silêncio que com nossas palavras. Mas, depois de reconhecer isso, há uma mensagem mais importante do deserto: o silêncio é, acima de tudo, uma qualidade do coração que fica conosco quando conversamos com os outros".

ORAÇÃO

Às vezes, a ausência de resposta nos faz imaginar se não fizemos o tipo errado de oração, mas, na maior parte, sentimo-nos aprisionados e enganados e depressa paramos "com essa coisa completamente absurda". É bastante compreensível que consideremos muito mais significativo falar com pessoas reais que precisam de uma palavra e oferecem uma resposta que falar com um Deus que parece ser especialista em esconde-esconde.

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.... A crise de nossa vida de oração é que talvez nossas mentes estejam repletas de idéias de Deus, enquanto nossos corações permanecem longe dele. A verdadeira oração vem do coração. É sobre essa oração que os monges do deserto nos ensinam.

Nota – a oração dos monges do deserto é a Oração do Coração, um método de oração contínua. Quem quiser maiores informações, me escreva que indico livros e sites.

FICHA BIBLIOGRÁFICA
Nouwen, Henri J. M.
"A espiritualidade do deserto e o ministério contemporâneo – o caminho do coração"
Tradução Barbara Theoto Lambert
São Paulo, Edições Loyola, 2000.

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