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Feminino Plural - Terra


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Sê mente

Toda semente
Está na mente
Sê paciente!
Sê mente.
(by Ligia)

UM JARDIM SECRETO E SÓ SEU

Quando pensamos em meditação e espiritualidade, muitas vezes imaginamos uma situação ideal, em um local perfeito e silencioso, onde é possível levar uma vida tranqüila e dedicada aos valores espirituais.

Entretanto, para a maioria de nós, um lugar assim é inacessível. Vivemos em cidades grandes, barulhentas, trabalhamos em locais cheios de pessoas com as quais, algumas vezes, não nos sentimos bem. Temos milhares de obrigações e preocupações...

Como, então, viver uma vida voltada para o espírito e para a descoberta de nós mesmos? Seria necessário abandonar tudo e começar uma nova vida em um outro lugar?

Não, não é preciso. Só há um lugar para começar a viver essa vida — aqui e agora. O exato momento em que se vive, o exato lugar onde se está é o jardim secreto, o templo da alma onde é possível encontrar uma fonte permanente de paz e sabedoria, que nos permite, a cada dia, renovar as nossas forças e encontrar nossas respostas mais sábias.

Para localizar esse jardim secreto, basta olhar para dentro. Ele está onde sempre esteve — dentro de você. Os exercícios e as sugestões desta lista são apenas formas de levá-la (o) de volta a esse local, caminhos que poderão ajudá-la (o) a redescobrir o silêncio e a calma que sempre lhe pertenceram.

3 — Se você for uma pessoa particularmente ligada ao seu corpo, procure localizar que parte do corpo é afetada pelos seus pensamentos mais freqüentes. Você os sente aonde? Que reação física provocam?

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Onde está o portão?

Para chegar a esse jardim é preciso achar, primeiro, o portão e a chave. Qual é o portão que conduz à paz interior em uma vida agitada? Qual é a chave que será capaz de abrir uma percepção mais calma de mundo?

Existem muitos portões e muitas chaves, já ensinaram, há muito tempo, todos os grandes sábios. Cada uma delas é mais adequada a um tipo de personalidade. A cada quinze dias, falaremos um pouco de uma das alternativas.

Retirando o entulho

A primeira alternativa de que trataremos é a de silenciar a mente para que se possa escutar a nossa verdadeira voz. Essa técnica é como uma pá de jardim, que usaremos para remover todo o entulho que está travando a entrada para o nosso jardim secreto. No meio desse entulho você poderá encontrar a chave de entrada. Mas, primeiro, será preciso remover e separar o entulho, para saber o que serve como adubo, o que deve ser reciclado e o que precisa mesmo ser jogado fora.

Para começar, durante cinco minutos, procure apenas observar seus pensamentos. Você verá como são agitados, quantas coisas passam por sua cabeça, e como geralmente estão voltados ou para remoer o passado ou para prever um futuro que nem sempre será da maneira que estamos imaginando que será (aliás, quase nunca será). Eu, particularmente, tenho uma enorme capacidade de perder horas em diálogos ou discussões com pessoas que nem sequer estão presentes — diálogos e discussões esses que, é claro, não levam a nada. São puro vício mental.

Uma das técnicas mais antigas para acabar com esse tumulto anterior é a de dar nome aos pensamentos. Ela está presente principalmente no Budismo, mas foi adotada por muitas outras escolas de espiritualidade.

Ao longo do dia, procure observar sobre o que você pensa, e dê um nome ao pensamento. Se está julgando o comportamento de alguém, pense "julgando". Se está discutindo mentalmente com alguém, registre "discutindo". Se está remoendo mágoas passadas, dê o nome correto: "remoendo". Se está perdida(o) em fantasias amorosas, anote mentalmente "fantasiando".

Se você fizer isso durante alguns dias, facilmente descobrirá quais são os tipos de pensamentos mais presentes em sua mente. São julgamentos? São fantasias? São mágoas? São preocupações quanto ao futuro? Cada um de nós, com certeza, tem um padrão predominante.

Localizado esse padrão, se dedique a trabalhar com ele. Vamos imaginar que o que predominam são julgamentos em relação aos outros, tipo "esse cara é um chato", "que roupa ridícula" e outros assim. Concentre-se apenas nesse tipo de pensamento. Quando um deles lhe vier à mente, diga "olá, julgamento, você está aqui de novo"? Ou crie uma personagem para esse tipo de pensamento.

Eu criei "A Grande Julgadora", que sabe tudo sobre todos e sabe, naturalmente, que todos estão errados. Quando começo a desenvolver esse tipo de pensamento, digo "Oh, Dona Julgadora, a senhora está ai! Vamos, me diga o que há de errado com fulano ou beltrano". Se o seu padrão é o de fantasiar constantemente, quem sabe você não tem um "Mago Fantasiador"? Ou se seu problema são as mágoas, quem sabe você não tem um "Moinho de Mágoas"?

O objetivo de criar um personagem ou de simplesmente dar nome ao tipo de pensamento é o de se distanciar da mente automática, do comportamento compulsivo que a mente adota. Esse padrão repetitivo, fruto da falta de observação de nós mesmos, é que gera toda a nossa incapacidade de chegarmos ao âmago do que somos.

Aos poucos, a Dona Julgadora, o Seu Fantasiador ou o Moinho de Mágoas ficarão desautorizados, ridículos, pequenos, e você perceberá que eles são apenas o que são — pensamentos automáticos, padrões de comportamento que NÃO são você.

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Sugestão de Exercício:

1 — Se você tiver vontade, registre por escrito o que observar, ao longo da semana, sobre seus pensamentos — que padrão seguem, quais são os que predominam. Quando tiver um tempinho livre no final de semana, crie o seu personagem-pensamento. Dê um nome para ele, desenvolva uma história. Se quiser, desenhe-o.

2 — Se quiser levar o exercício mais a fundo, use um recurso mais radical — pense de novo. Cada vez que se flagrar em seu "modo pensamento automático", pense de novo conscientemente. Você ficará impressionado ao perceber que muitos dos nossos "pensamentos" não são sequer idéias — são emoções e preconceitos disfarçados.

3 — Se você for uma pessoa particularmente ligada ao seu corpo, procure localizar que parte do corpo é afetada pelos seus pensamentos mais freqüentes. Você os sente aonde? Que reação física provocam?

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