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JARDIM SECRETO
Um caderno de orações |
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![]() Ora como quem planta semente rara. Atento, semeia palavra a palavra a tua fé. E aguarda. by Ligia |
Ler e refletir sobre palavras sábias é uma das formas
mais antigas de meditação. Mas já pensou em copiar essas palavras? Essa também pode
ser uma forma muito efetiva de meditação e de prática de atenção, quando bem
aplicada. Trata-se de uma prática simples, mas cheia de significado. Durante a Idade Média foi a responsável por "salvar" grande parte do conhecimento que havia restado da Idade Antiga, e permitiu que as gerações posteriores tivessem contato com algumas obras da filosofia grega que, de outra maneira, não teriam chegado até nós. Foi graças aos monges medievais, que se debruçavam nas bibliotecas dos mosteiros copiando manuscritos antigos, que chegaram a nós muitos textos. Nos dias de hoje, podemos nos tornar novos monges. Podemos esquecer temporariamente nossos computadores, com seus processadores de texto e e-mails, e nos sentarmos, diariamente ou sempre que sentirmos necessidade, para copiar algumas sentenças, uma oração ou palavras de profunda sabedoria em um caderno que reservamos especialmente para isso. Com essa prática, estamos criando um ritual de atenção, e damos uma dimensão totalmente diversa ao tempo. O ato de sentar, escolher a caneta, abrir um livro, ler um trecho e copiá-lo faz com que mudemos nosso foco do profano para o sagrado, do tempo dos gestos cotidianos banais para que um em que os gestos cotidianos são envoltos em uma sacralidade simples e bela. Ao procurarmos usar a nossa mais caprichada caligrafia ao copiarmos, estamos também exercendo a prática do respeito por quem nos doou aquelas palavras sábias, que nos tocaram e nos inspiraram. O que vamos copiar fica a nosso critério. No meu caderno de orações há orações das mais variadas tradições religiosas, trechos de livros que achei particularmente inspiradores, orações que eu mesma escrevi e poemas. Há desde orações muito singelas, como a "Santo Anjo do Senhor"... que foi a primeira que aprendi, até trechos longos e complexos de místicos contemporâneos. Todos estão ali para me lembrar do rumo que eu escolhi para minha vida e minha espiritualidade. Todos foram copiados como uma prática de atenção e respeito à sabedoria das mais variadas culturas. Quando sinto que preciso de um alento, recorro a esse caderno. E essa é uma segunda razão para ter um caderno desses. Ele será um companheiro para a vida, ao qual recorreremos quando precisarmos. E será um companheiro com a nossa "cara", feito sob medida para nossas necessidades. Ao olhar as orações que escolhemos, estaremos olhando o nosso próprio rosto. Há apenas um cuidado a ser tomado: não deixar que a prática se torne uma espécie de "coleção de figurinhas". O objetivo não é ter muitas orações, ou mais orações, ou tantas orações quanto. É ter aquilo que nos toca. E, para evitar que se torne uma coleção de figurinhas, cuide desse caderno como de algo realmente sagrado. Seja criterioso se o emprestar, guarde-o em um lugar especial, selecione cuidadosamente o que for escrever nele. Como eu disse acima, ele será o seu rosto. E o seu rosto, lembre-se sempre, é o rosto de Deus. UMA ORAÇÃO DO MEU CADERNO Abaixo está uma oração das do meu caderno pela qual tenho especial carinho. Ela foi escrita por Thomas Merton, um monge trapista americano, que foi desde a minha adolescência um dos meus inspiradores. O que gosto nessa oração é sua fragilidade, seu reconhecimento do quanto somos confusos e o quanto desejamos estar no caminho certo. Espero que vocês gostem dela, também. E, de certa forma, ela é minha contribuição para os cadernos de orações de vocês, e minha homenagem a todos os que, ao longo dos séculos, copiaram, silenciosa e amorosamente, a sabedoria espiritual. A ORAÇÃO DE THOMAS MERTON Senhor Deus, |
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