Cada tradição espiritual oferece um caminho, mas existem
alguns princípios em que todas concordam. Entre eles está a importância de
manter a atenção fixada. Pois, ensinam os grandes mestres, a mente é como um
cavalo selvagem, desobediente. Para que ela se torne um instrumento útil, é
preciso ensiná-la a se acalmar. Só na mente acalmada é que se pode ouvir a
voz interior - ou da alma, ou de Deus.
No entanto, como qualquer pessoa que já tentou sentar para
meditar sabe, fazer a mente ficar quieta é uma proeza quase que impossível.
Ela pula de um pensamento ao outro, e mesmo quando se usam técnicas como as
que propõe que ao invés de se deixar de pensar, se considere os pensamentos
como nuvens passageiras, não é fácil conseguir se aquietar.
É por isso que há a alternativa de colocar o foco não
nos pensamentos, não no silêncio que se busca, mas em fatores externos. Para
muitos, especialmente quando se está começando, esse é um caminho muito bom.
Além de trazer os benefícios da meditação, treina a capacidade de manter a
atenção concentrada, que é útil na vida pessoal e profissional. Pessoas com
foco executam suas tarefas melhor e em menos tempo.
Há várias alternativas de prática. Abaixo, apresento duas.
Veja qual é aquela com que você se sente melhor.
TREINANDO
A ATENÇÃO
Meditação 1 - Todos os sons
externos
Escolha um lugar tranqüilo. Você não precisa sentar em
uma almofada de meditação ou em postura de lótus. Pode ser em uma cadeira no
seu escritório, na hora do almoço - desde que saiba que não vai ser
interrompido.
O importante é manter as costas retas e a postura relaxada. Faça algumas
respirações circulares - inspire e inspire profundamente, com inspirações e
expirações que tenham a mesma duração, sem intervalo entre uma e outra.
Depois, deixe o corpo relaxar.
Feche os olhos. Concentre-se nos sons que ouve. Procure captar todos os sons
que puder. Ouça atentamente, procurando localizar qual é o som mais distante
que há. Depois, vá ouvindo cada vez mais perto. Os sons do seu edifício. De
sua casa. De seu quarto. Os sons do seu corpo. Sua respiração. Ouça sua
respiração pelo tempo que desejar e se sentir bem. Se quiser, faça o caminho
inverso, ouvindo cada vez sons mais distantes. Quando sentir que é o
momento, abra os olhos, espreguice-se e retome suas atividades.
Meditação 2 - Olhando para o belo
Essa também é uma meditação muito simples. Você vai precisar de uma flor,
uma vela ou de um objeto que ache particularmente bonito e que tenha formas
simples. Nada que seja muito complexo ou cheio de detalhes.
Sente-se em uma cadeira, com as costas retas, e coloque o objeto à sua
frente, de forma que possa observá-lo sem forçar os olhos. Faça algumas
respirações circulares - inspire e inspire profundamente, com inspirações e
expirações que tenham a mesma duração, sem intervalo entre uma e outra.
Depois, deixe o corpo relaxar.
Concentre-se no objeto. Observe cada detalhe. Se é uma flor, veja as pétalas
como são, a textura, alguma dobra que tenha, a curvatura do caule - tudo.
Observe pelo tempo em que conseguir manter sua atenção.
A seguir, feche os olhos e visualize essa flor. Procure vê-la exatamente
como a observou.
Você pode fazer isso de duas maneiras: alternando momentos de olhos abertos
e de olhos fechados ou observando uma vez apenas a cada meditação. Quando
sentir que é o momento, abra os olhos, espreguice-se e retome suas
atividades.
As duas meditações podem ser praticadas uma ou duas vezes ao dia, por
períodos curtos - começando com cinco minutos. Em menos de um mês você
começará a notar a diferença na sua capacidade de manter o foco.
Pessoalmente, acredito que qualquer prática espiritual tem melhores
resultados quando invocamos a ajuda de seres superiores. Assim, sugiro que,
ao início, solicite a intervenção de seus guias, anjos, Deus - enfim,
daqueles seres que achar adequados de acordo com sua crença. E que, ao
final, agradeça pela ajuda recebida.