Vivemos em uma sociedade que equipara amor a amor a atração
entre dois adultos ou ao sentimento de proteção dos pais em relação a
seus filhos. No máximo, e de vez em quando, aparece em cena o amor aos
animais, sob a forma de animais de estimação. Nossas canções, filmes,
histórias giram todas em torno dessas formas de amor.
No entanto, amor é muito maior e muito mais do que isso. Outro dia li, em
uma mensagem da Fundação Findhorn, uma definição que ressoou na minha alma:
O Amor é uma frequência vibracional. Já havia lido isso de outras formas e
maneiras, mas dessa vez entendi o que quer dizer. E é esse entendimento que
tento compartilhar, agora.
Sabemos que tudo no universo é vibração, e que há diferentes faixas de
frequência. O amor é uma faixa específica. O melhor disso é que, como
acontece com o rádio, que pega faixas de frequência, nós também podemos
sintonizar essa faixa com relativa facilidade. É somente uma questão de
treino.
O primeiro passo é descobrir o que a/o coloca em uma frequência de amor. O
que a/o faz sentir generoso, bom, honesto, capaz de repartir o que tem,
feliz com a vida? Há uma sensação bem específica, que todos nós sentimos
algumas vezes na vida, que é mais do que o amor que sentimos pelos mais
próximos, ou pela pessoa que amamos. É uma sensação suave, de amor
universal. Lembre-se quando a sentiu ou, se nunca prestou atenção e nunca a
percebeu em você, procure descobrir o que induz uma espécie de "boa vontade
universal" em você.
Para mim, são determinadas músicas, é cuidar de meu jardim, acariciar meus
animais, olhar para uma obra de arte ou paisagem bonita, cozinhar,
meditar... e mais outras coisas.
O passo seguinte é simples: exponha-se o máximo possível ao que lhe traz
essa sensação. Geralmente são coisas bem simples, que nem prestamos atenção,
e que são bem fáceis de cultivar. Você vai perceber que, quanto mais tempo
ficar na frequência do amor, mais estável ela se tornará e mais dificilmente
você sairá dela.
Isso - essa capacidade de incluir o mundo em seu coração - é o amor. E ele é
muito mais do que amar. O amor é a capacidade de alimentar o outro com o que
é o pão da alma: a aceitação e o afeto. O amar muitas vezes pode ser
egoísta. Quando amo um homem, quero que seja meu (namorado, marido, amante,
seja lá o que eu deseje). Quando simplesmente amo, quero que todos os seres
sejam felizes.
Uma coisa não é incompatível com a outra. Mas estamos vivendo em um tempo
que valoriza o amor pessoal, e menospreza o amor universal. Mais do que
nunca é preciso cultivá-lo em nós, pois ele é a garantia de que poderemos
construir um futuro para a humanidade.
Só quem sabe que as gerações futuras merecem viver e ser amadas irá adotar
os pequenos atos cotidianos que garantem que o mundo sobreviva. E muitos têm
que adotar esses atos, urgentemente. Limpar a sujeira do seu cachorro, não
jogar lixo na rua, gastar menos luz e água, reciclar sempre que possível são
gestos que nascem desse amor por aqueles que não conhecemos mas que virão
depois de nós e são o nosso futuro.
CULTIVANDO UM
CORAÇÃO AMOROSO
Prática 1 - Observe a si mesma/o
Preste atenção a tudo que a/o induz a uma sensação de
compreensão, compaixão e disposição de ajudar ao próximo. Anote tudo que lhe
faz sentir bem. É fácil lembrarmos do que que nos incomodou, mas é difícil
lembrar do que pode nos tirar da sensação de incomodo. Mantenha essas
anotações à mão.
Prática 2 - Recorra a sua lista
Sempre que perceber que está tendo pensamentos negativos repetitivos, está
julgando os outros, se irritando, ficando amarga/o, recorra a sua lista de
práticas. Experimente até achar a que faz mudar seu estado de espírito.
Música, por ser uma também uma frequência vibratória mais perceptível,
costuma ter um efeito muito rápido. o mesmo acontece com perfumes. Não deixe
de experimentar esses dois.
Essas duas práticas somadas levam a uma percepção mais clara de que
todos somos dignos de amor. E a gestos amorosos e simples, que tornam a vida
mais simples e digna de ser vivida.