Há algumas semanas li um livro que teve um impacto positivo
muito grande sobre mim, e que recomendo a todos. O nome é "O Despertar de
uma nova consciência", e foi escrito por Eckhart Tolle. Nele, o autor fala
da importância de estarmos presentes em cada momento de nossas vidas e
lembra que "a jornada de toda a sua vida consiste, em ultima análise, no
passo que você está dando agora".
Essa fase me fez refletir, e muito. Primeiro, sobre onde estou. Depois,
sobre onde quero chegar. E, finalmente, sobre o fato de que, não obstante a
distância que haja entre o eu atual e o meu eu desejado, durante todo o
trajeto só terei aquele momento em que vivo. E que toda a trajetória, até o
meu último dia neste simpático planeta azul, se definirá por uma série de
"momentos presentes", cada um único e, portanto, digno da minha mais
perfeita atenção.
Dessa reflexão surgiu um insight: eu, você, todos, gozamos de profunda
liberdade. Podemos renascer a cada segundo de nossas vidas. A ressurreição,
para nós, humanos comuns, também é possível. A cada vez que saímos do
automatismo e estamos efetivamente presentes no que fazemos, renascemos como
um ser mais elevado e mais capaz. Nascemos de novo para a luz original que
somos e da qual viemos. E a cada vez que nos deixamos cair nos automatismos,
voltamos a morrer, sacrificando o que temos de melhor: a capacidade de
sermos um ser consciente, capaz de escolher o que quer ser.
A grande dificuldade está em aprender a cultivar essa "presença no
presente". Os exercícios abaixo podem ser úteis, e são ensinados por Toole
em um outro livro, chamado "Praticando o Poder do Agora". Apenas dei-lhes
nomes mais sugestivos, mas mantive a essência do que ele ensina.
Como todos os demais exercícios e práticas que Tolle sugere, o objetivo
desses é que nos distanciemos do nosso pequeno ego, para poder deixar que o
Eu brilhe.
DISTANCIANDO-SE
DO EGO PARA CHEGAR AO EU
Prática 1 - Ouvir vozes
Se alguém lhe procurasse dizendo que ouve vozes, você
pensaria que se trata de um louco. No entanto, eu, você e todo mundo,
ouvimos vozes o dia inteiro. Pare e observe o que acontece em sua cabeça:
você passa o dia mantendo diálogos imaginários, reagindo a coisas que
aconteceram no passado, vivendo um futuro imaginário ou ouvindo pensamentos
repetitivos. Se prestar atenção por alguns minutos, verá que, na média,
nossa vida interna não difere tanto assim da de um daqueles doidos que andam
falando sozinhos na rua.
Como mudar isso? Basta distanciar-se, tornando-se observador do próprio
pensamento. "Ouça a voz dentro de sua cabeça, esteja lá como testemunha",
recomenda Tolle. Ao ouvir essa voz, seja imparcial, não julgue nem comente.
Quando você o faz, atinge uma nova dimensão da consciência - aquela que é
capaz de viver o presente.
Prática 2 - Sentir as emoções no
corpo
Cada vez que sentir uma emoção, procure senti-la no corpo. Deixe que ela se
expresse ali, no corpo. Pode se expressar como uma contração, uma dor, uma
sensação desagradável. Pare e observe. Onde e como você a sente? Não "trave"
o corpo, deixe que a emoção venha e só fique observando". Da mesma forma que
a sensação causada por ela começa, irá terminar. Você verá que ela é como
uma onda - passa através de você, mas não é você.
Se você deixar que ela se expresse, terá dois benefícios. O primeiro é que
evitará que ela se calcifique - muitos dos nossos sofrimentos são emoções
que não quisemos expressar ou expressamos "mal", através de palavras ou de
agressões - gerando mais emoções, culpas e dores. O segundo é que se
distanciará dela, tornando-se, novamente, um observador. Há, ainda, uma
terceira vantagem - a de aprender sobre si. Aos poucos, você saberá o que
lhe provoca quais reações emocionais. E se tornará mais livre.
Essas duas práticas são uma pequena amostra do que Tolle oferece em
seus livros. Sugiro que você os leia. São simples de ler e objetivos, um
verdadeiro presente para a humanidade em um momento que precisamos, e muito,
ressuscitar para a luz primordial que somos.