Seleção Natural
Amar a vida
Sem o pasmo meloso
Comum nos novos panteístas
Que vêem, em cada ser que nasce,
Uma mensagem a ser traduzida.
Amar a vida porque é o caos.
Porque fere, destrói e intimida.
Não por que a natureza é boa,
Mas sim porque é feroz.
Mesmo sabendo que não deixo filhos
(E como espécime, sou mal sucedida),
Ainda assim, amar a tudo e todos,
Amar, amar, amar
Em mim, a vida.
inverno de 1991.
Explicação não tão necessária:
Do ponto de vista da seleção natural, os espécimes que não deixam
descendentes são considerados "mal sucedidos". Como
alguém que não tem filhos, sou um desses espécimes, vista de um
ponto de vista meramente "científico". Esse poema foi escrito após a
leitura de uma notícia sobre uma dessas tragédias naturais
em que morrem milhares de pessoas e a gente se pergunta
"mas afinal, por que"?
(Poesia de autoria de Lígia
Gomes Carneiro
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