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Depois da
morte de
meu
pai
(ou "Relação de coisas dolorosamente
aprendidas")
Desde
então
eu
me dedico
a
desmembrar
palavras
libertando as
coisas
para
seus
significados
últimos.
Ervilha.
Prato.
Garfo.
Minha
fome se simplifica.
E
eu volto a
infância.
Quando
toda a
atenção estava
Em
organizar as
ervilhas
em
filas.
Tudo se
desprendeu.
Tudo se tornou
Dramaticamente
nítido.
Não
eu.
Não
árvore.
Não
não.
Descobri a
cor do
meu
coração.
É
verde.
Aprendi o
que
quer
dizer
melancolia.
Vivo.
O
mel se
derrama
sobre
minhas
feridas.
Breve virão as
abelhas.
Eu as receberei
como bênçãos.
(escrito provavelmente
em
julho de 2001)
(Poesia de autoria de Lígia Gomes Carneiro
reprodução proibida sem autorização.) |